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Expansão comercial muda ‘cara’ de avenidas

CAMPINAS
Expansão comercial muda "cara" de avenidas

Avanço do apetite por novos empreendimentos deixa vias semelhantes às de grandes cidades do País

Fotos: Denny Cesare
Avenida Norte-Sul ganhou ao menos dez novos prédios e reflete o desenvolvimento do mercado imobiliário voltado à exploração comercial

 

Rodrigo Rossi

Campinas

O ritmo intenso que a expansão imobiliária comercial registra em Campinas é responsável por mudar a paisagem urbana em alguns pontos da cidade. Dados da Habicamp (Associação Regional da Habitação de Campinas) revelam que, entre 2006 e 2009, a metragem quadrada aprovada pela prefeitura para construção de novos empreendimentos comerciais saltou 194,3%. Em 2006, a administração liberou 176 mil metros quadrados para exploração de negócios. Ano passado, este número chegou a 518 mil metros quadrados.

No mesmo período, o total de aprovações de novos empreendimentos - que inclui edificações residenciais e comerciais - avançou 140,1% (de 708 mil metros quadrados para 1,7 milhão de metros quadrados), o que significa que o avanço da exploração imobiliária é voltado principalmente para atender o apetite da iniciativa privada.

Os números se traduzem na percepção que se tem em alguns corredores comerciais, onde a sensação de interior praticamente se perde e dá lugar a um cenário que remete às grandes metrópoles e capitais brasileiras.

A Avenida José de Souza Campos, conhecida como Norte-Sul, é um bom exemplo dessa mudança que a cidade acompanha. A via é tradicionalmente habitada por estabelecimentos comerciais, mas um trecho que vai do viaduto Lauro Péricles, conhecido como Laurão, até o entroncamento com a Avenida Orosimbo Maia vem ganhando modernos edifícios que deram "cara nova" ao local.

O mercado imobiliário da cidade apostou neste trecho da via para incorporar grandes empreendimentos voltados para o mercado corporativo. Nesta parte da Norte-Sul, pelo menos dez novos prédios foram construídos nos últimos anos.

De acordo com a Habicamp, a avenida despertou uma vocação para abrigar escritórios comerciais de grandes empresas da cidade e também de fora. "Tem muita empresa que escolhe montar um escritório no local porque os empreendimentos são modernos e oferecem uma infraestrutura exigida por esse mercado corporativo", disse Francisco Lima, presidente da Habicamp.

Uma das empresas que têm apostado no local é a GNO. De acordo com informações da empresa, nos últimos anos foram entregues dois edifícios, um está em andamento e três novos deverão ser iniciados na avenida.

"Há 15 anos os preços dos terrenos nessa área ficaram em patamares que inviabilizavam os negócios. Isso atravancou o mercado durante anos, e consequentemente o desenvolvimento, que sobreviveu apenas com algumas ações pontuais. Hoje temos uma relação de custo mais viável", disse Rogério Nassralla, diretor da GNO.

Para ele, a tendência para o futuro da Avenida Norte-Sul é exatamente servir aos empreendimentos corporativos por conta do custo do metro quadrado do terreno. "Cada vez mais essa região vai chamar a atenção das empresas grandes nacionais, corporativas e o pequeno usuário autônomo como o médico, o advogado, o arquiteto, entre outros", disse.

Metro quadrado chega a R$ 8 mil

Dados do Secovi (Sindicato de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis) de Campinas apontam que o preço do metro quadrado de terreno no trecho em questão da Avenida Norte-Sul varia de R$ 3,1 mil a R$ 4,5 mil. Pronto, o preço desse espaço no mercado chega a até R$ 8 mil - é o metro quadrado mais caro da cidade, de acordo com o sindicato.

Segundo o Secovi, a região possui atualmente mais de 50 mil metros quadrados de áreas disponíveis para a locação e mais de 110 mil metros quadrados de novas áreas construídas.

Para as pessoas que passam diariamente pela Avenida Norte-Sul, todo esse desenvolvimento que tem proporcionado a mudança de cenário da avenida é positivo. "A Avenida Norte-Sul está muito bonita. Mais moderna e com prédios maravilhosos. Mostra o progresso da cidade", disse a empresária Cecília Veloso, 51.

A funcionária pública Sônia Ferraz, 61, também elogia a nova cara que a avenida está ganhando. "As pessoas estão tendo a percepção do desenvolvimento. E isso é muito bom. O crescimento e a modernização dos edifícios é um indicativo do progresso."

E a participação das empresas nesse desenvolvimento não tem se restringido apenas à construção dos novos e modernos edifícios. Recentemente, a praça Dr. Rubens Andrade Noronha foi restaurada. Ela ganhou um paisagismo especial, iluminação e até pequenos lagos artificiais, uma forma de equilibrar o desenvolvimento e preservar o verde de uma Campinas que se distancia do seu velho ar interiorano. (RR)


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